Bolsonaro recorre a Maia para que polêmicas não atrapalhem Previdência

Depois dos controversos comentários da segunda-feira, presidente reuniu-se nesta terça-feira (30/7) com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), no Palácio da Alvorada

O presidente Jair Bolsonaro sentiu o peso da polêmica levantada por ele sobre o advogado Fernando Santa Cruz, desaparecido político da ditadura militar e pai do presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz. Depois dos controversos comentários da segunda-feira, reuniu-se nesta terça-feira (30/7) com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), no Palácio da Alvorada. Ele se justificou e pediu o apoio do parlamentar para não deixar que as declarações contaminem o clima na votação em segundo turno da reforma da Previdência, no retorno das atividades do Congresso, terça-feira.

Não é para menos que Bolsonaro está preocupado. A cúpula do Planalto o alertou para os diferentes impactos provocados com as declarações. Alguns a curto prazo, com advertências para o risco de os comentários contaminarem o alinhamento entre a agenda governista e alguns parlamentares. Outros, a médio prazo, com dificuldades para a construção da base depois da votação da reforma previdenciária.

O problema, analisam aliados, é que Bolsonaro continua dando de ombros às polêmicas e se desgastando desnecessariamente. Nesta terça-feira (30/7), ele questionou a veracidade dos documentos produzidos pela Comissão Nacional da Verdade (CNV), que apurou crimes cometidos durante a ditadura militar, entre 1964 e 1985. “Você acredita em Comissão da Verdade? Qual foi a composição da Comissão da Verdade? Foram sete pessoas indicadas por quem? Pela Dilma”, minimizou, em relação à ex-presidente Dilma Rousseff. Para ele, os documentos sobre as mortes atribuídas aos militares são “balela”. “Nós queremos desvendar crimes. A questão de 64, existem documentos de matou, não matou, isso aí é balela”, declarou.

O presidente tenta se resguardar com o Congresso se ancorando em Maia, mas pessoas próximas ao demista dizem que não será ele a mobilizar líderes partidários a darem um “voto de confiança” a Bolsonaro. Dada a polêmica gerada, ponderam até que, embora ele não queira discutir eventuais pedidos de impeachment do chefe do Executivo, não se negaria, em respeito à oposição, a discutir com lideranças um eventual pedido de impeachment, caso haja um robusto embasamento jurídico.

Para o advogado Cezar Britto, ex-presidente da OAB, Bolsonaro cometeu crime ao insinuar que sabe o que ocorreu com Fernando Santa Cruz, mas não mobilizou o Estado a identificar o corpo. “Bolsonaro estaria cometendo crime de responsabilidade não só pela questão de fazer acusação pública, mas ao tomar conhecimento de crime contra a humanidade e não tomar decisão de ajudar. O Estado tem o dever de achar os corpos de vítimas desses crimes”, declarou ao Correio.

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