GDF volta atrás e adia novamente ocupação do Centro Administrativo

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Assinatura de termo que autoriza ocupação do prédio, marcada para essa sexta, foi adiada. Não há nova data para evento.

O Governo do Distrito Federal recuou da intenção de iniciar nesta sexta-feira (12) o processo de ocupação do Centro Administrativo, em Taguatinga. O evento marcado para a assinatura do termo de autorização, que permite a mudança para o prédio, foi adiado.

Antes da assinatura, o governo Ibaneis diz que vai aguardar um posicionamento do Tribunal de Contas do DF. Uma nova data para o início do processo não foi divulgada.

Vários capítulos

O novo capítulo da novela envolvendo o Centro Administrativo do DF teve início após a posse do governador Ibaneis Rocha (MDB). Em janeiro, o chefe do Palácio do Buriti afirmou que ocuparia o prédio até março, de um jeito ou de outro”.

Dois meses depois, no entanto, mudou o discurso e disse que assumiria o edifício até metade do ano. Ao justificar a medida, Ibaneis citou os gastos do GDF com prédios alugados.

“Temos que assumir o gasto porque temos uma administração que está bastante desorganizada, espalhada em diversos prédios pela cidade. Prédios alugados que dão uma despesa só com aluguel de R$ 9 milhões, mais toda a manutenção de prédios que não são nossos”, afirmou.

O governador Ibaneis Rocha, em entrevista ao G1 — Foto: Reprodução/TV Globo

O governador Ibaneis Rocha, em entrevista ao G1 — Foto: Reprodução/TV Globo

Ministério Público

No início de abril, o governo divulgou a data de 12 de abril como a que marcaria o início do processo de mudança do Executivo para Taguatinga. Com o objetivo de suspender a medida, o Ministério Público de Contas do DF ajuizou representação contra a mudança.

Segundo o MP, “é impossível estabelecer, diante das informações disponíveis, vantagem de qualquer natureza, notadamente econômica, com a mudança ocorrendo em espaço de tempo tão diminuto e, claramente, sem planejamento”.

O Tribunal de Contas do DF negou o pedido de cautelar do Ministério Público, o que permitiria ao GDF continuar com o processo de mudança. A promessa, no entanto, ainda não se concretizou.

O objetivo do governo é transferir 70% dos servidores da parte administrativa do Executivo para o Centro Administrativo. As secretarias de Planejamento, Justiça e a Casa Civil estão entre as pastas que serão alocadas no prédio, além dos gabinetes do governador e do vice, Paco Britto (Avante).

Histórico

O Centro Administrativo do DF foi finalizado em 2014 e inaugurado no último dia da gestão de Agnelo Queiroz (PT) à frente do Palácio do Buriti. O prédio tem 182 mil m² e capacidade para receber 13 mil servidores mas, desde a inauguração, está desocupado e virou alvo de polêmicas e suspeitas de corrupção.

Governador Agnelo Queiroz durante inauguração do novo Centro Administrativo do DF — Foto: Isabella Formiga/G1

Governador Agnelo Queiroz durante inauguração do novo Centro Administrativo do DF — Foto: Isabella Formiga/G1

O edifício foi construído por meio de parceria público-privada entre o GDF e consórcio formado pelas empreiteiras Odebrecht e Via Engenharia. O acordo, com valor total de R$ 6 bilhões, previa a construção do prédio e a manutenção dele por 22 anos.

A empreitada foi realizada com recursos do consórcio e por meio de empréstimos feitos junto aos bancos Caixa Econômica Federal e Santander. As empreiteiras alegam já terem gasto R$ 1,5 bilhão com o prédio.

Até o momento, o governo não destinou recursos ao Centro Administrativo. A partir da ocupação, no entanto, a situação deve mudar. Segundo estimativa do governador, o valor a ser repassado às empresas já é de R$ 724 milhões.

Lava Jato

O contrato do Centro Administrativo também foi citado na delação do ex-executivo da Odebrecht João Antônio Pacífico Ferreira, no âmbito da operação Lava Jato.

Segundo Pacífico, as negociações para a construção do prédio, entre 2007 e 2014, foram marcadas por “acordos de mercado” na fase de licitação e repasses ao caixa dois de campanhas eleitorais.