Greve: Metrô funciona em horário normal, mas com frota reduzida

Em meio à paralisação, GDF publicou um edital de chamamento para parceria público-privada do transporte. A medida foi vista como uma ameaça pela categoria

Mesmo em mais um dia de greve dos funcionários da Companhia do Metropolitano do Distrito Federal (Metrô-DF), o transporte funcionará no horário normal, das 5h30 às 23h30. O que muda é o número de trens que circulam nesta segunda-feira (6/5). Seguindo a determinação da Justiça do Trabalho (TRT-10), 80% da frota deve rodar durante os horários de pico — que vai das 6:00 às 08:45 e das 16:45 às 19:30. Nos demais horários, apenas 30% dos veículos estarão circulando.
Apesar da exigência, o Metrô-DF afirmou que o sindicato não está cumprindo a medida, já que ao menos 23 trens deveriam estar em circulação. “No entanto, só foi possível atender a população com 22 composições, gerando incômodo aos usuários com trens lotados no horário de pico”. A empresa alegou, ainda, que, devido a falta de empregados nas bilheterias, foi necessário liberar as catracas em algumas estações. Em outras, como na Estação Águas Claras, grandes filas se formaram grandes filas se formaram pela redução de funcionários na venda das passagens.
Caso a medida não seja cumprida, o Sindicato dos Trabalhadores em Empresas de Transportes Metroviários do Distrito Federal (SindMetrô-DF) está sujeito à multa diária de R$ 100 mil. A decisão do TRT-10 acatou parcialmente uma liminar ajuizada pelo Metrô-DF, que pedia o funcionamento total dos veículos nos horários de pico e 60% nos demais períodos do dia.
O SindMetrô-DF pede que o tribunal reconside o percentual, alegando que o sistema elétrico disponível impede a circulação da demanda. Uma nova negociação entre a categoria e a companhia está marcada para esta segunda-feira (6/5), às 14h.
Os metroviários exigem que o governo pague dívidas e benefícios cortados, em valores retroativos. A categoria afirmou que o Metrô-DF não tem cumprido cláusulas do acordo coletivo de trabalho, decisões e acordos judiciais, além de sentenças normativas.
Faixas liberadas
Enquanto durar a greve, os órgãos responsáveis pelo trânsito no DF decidiram adotar um esquema especial de liberação das faixas exclusivas.
Com isso, os veículos de passeio podem circular por todas as pistas da W3 Sul, W3 Norte e Setor Policial Sul, decidiu o Detran-DF. Já o DER liberou a faixa exclusiva da EPNB, mas na EPTG, a operação dos ônibus na reversa e a liberação da 4ª faixa para os veículos leves no sentido da via vai funcionar normalmente nos horários de pico (6h às 9h e das 17h30 às 19h45). Nos demais períodos do dia, a faixa exclusiva para os ônibus na EPTG permanece somente para os coletivos.

Privatização

Em meio à paralisação, o Governo do Distrito Federal (GDF) publicou um edital de chamamento para parceria público-privada para o transporte metroviário. Na prática, o Metrô-DF deixaria de ser responsabilidade da administração pública e uma empresa privada, vencedora da licitação, ficaria encarregada de gerenciar, investir e fazer as manutenções necessárias ao serviço.
A proposta foi publicada em edição extra do Diário Oficial do DF na última sexta-feira (3/5) e estipula o prazo de 30 dias corridos para que as interessadas façam o requerimento na sede da Secretaria de Transporte e Mobilidade (Semob). O objetivo do executivo é aprimorar a prestação do serviço e melhorar a eficiência da operação do sistema.
No entanto, a novidade não agradou os metroviários, que interpretaram a publicação como uma ameaça à greve. “É uma tentativa de amedrontar a frente, mas isso não irá interfir nas tratativas”, afirma o SindMetrô.
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