Ocupação do Centro Administrativo do DF deve começar em 12 de abril, diz secretário de Fazenda

Por , em Notícias DF dia . Salvo na tag:

Termo de acordo para entrega do prédio deve ser analisado pelo TCDF. Estimativa é de que 70% dos servidores passem a despachar no local.

O secretário da Fazenda do Distrito Federal, André Clemente, afirmou nesta segunda-feira (1º) que a meta do governo é iniciar a ocupação do Centro Administrativo do DF no dia 12 de abril.

Nesta manhã, o governador Ibaneis Rocha (MDB) se reuniu com o secretário e representantes da Agência de Desenvolvimento do DF (Terracap) para fechar o termo de acordo para a entrega do prédio. O edifício foi finalizado em 2014, mas, desde então, permaneceu com as portas fechadas

O chefe do Palácio do Buriti disse que, nesta quarta-feira (3), “um grupo da Terracap vai entregar o documento ao Tribunal de Contas do DF para saber se o órgão quer fazer alguma observação”.

Segundo o GDF, 70% dos servidores da parte administrativa do GDF devem passar a despachar no Centro Administrativo. As secretarias de Planejamento, Justiça e a Casa Civil estão entre as pastas que serão alocadas no prédio, além dos gabinetes do governador e do vice, Paco Britto (Avante).

Finalizado ainda na gestão do ex-governador Agnelo Queiroz (PT), o Centro Administrativo tem 182 mil metros quadrados e capacidade para receber 13 mil servidores. O prédio foi construído por meio de uma parceria público-privada (PPP) entre o governo e o consórcio Centrad – formado pelas empreiteiras Via Engenharia e Odebrecht.

O contrato firmado entre as partes tem o valor total de R$ 6 bilhões e prevê, além da construção, a manutenção do Centro Administrativo por 22 anos. O consórcio afirma já ter desembolsado R$ 1,5 bilhão com o prédio, mas, como ele nunca foi ocupado, o GDF ainda não repassou nenhuma verba às empresas.

O investimento foi feito com recursos do próprio consórcio e por meio de empréstimos tomados junto a bancos.

Custos

De acordo com estimativa do governador Ibaneis Rocha, o valor a ser transferido às empresas já é de R$ 724 milhões. Do total, R$ 100 milhões seriam destinados ao processo de ocupação do prédio (licitação de móveis e instalações necessárias), R$ 80 milhões para pagar o consórcio de empreiteiras Via Engenharia e Odebrecht e R$ 544 milhões de dívidas com a Caixa e o Santander.

Há ainda despesas de R$ 3 milhões a R$ 4 milhões por mês para manter o local funcionando (segurança e limpeza).

Segundo Ibaneis, apesar dos custos altos, a estrutura “precisa ser ocupada”:

Temos que assumir o gasto porque temos uma administração que está bastante desorganizada, espalhada em diversos prédios pela cidade. Prédios alugados que dão uma despesa só com aluguel de R$ 9 milhões”, afirmou o chefe do Executivo em março.

Após a mudança, o plano do governo é fazer uma reforma geral no anexo do Palácio do Buriti para, em seguida, definir como o imóvel poderá ser utilizado. Uma das alternativas seria a instalação da Universidade Distrital, projeto de campanha de Ibaneis que prevê a implementação de universidade pública vinculada ao GDF.

Área externa do Centro Administrativo do DF, em Taguatinga — Foto: Andre Borges/Agência Brasília

Área externa do Centro Administrativo do DF, em Taguatinga — Foto: Andre Borges/Agência Brasília

Relembre

O Centro Administrativo do DF foi erguido pelo ex-governador Agnelo Queiroz. A estrutura foi inaugurada em 31 de dezembro de 2014, último dia de mandato do petista.

Desde então, há um imbróglio sobre a mudança do governo para o espaço. Um certificado que permitia a ocupação do local chegou a ser emitido, mas foi anulado pela Justiça por falta de laudos obrigatórios.

O contrato envolvendo o empreendimento também é citado na delação do ex-executivo da Odebrecht João Antônio Pacífico Ferreira, no âmbito da operação Lava Jato. Segundo Pacífico, as negociações para a construção do Centro Administrativo, entre 2007 e 2014, foram marcadas por “acordos de mercado” na fase de licitação e repasses ao caixa dois de campanhas eleitorais.

Fonte G1