Paciente com paralisia usou computador para denunciar abuso de cuidadora no DF: ‘Botou minha mão dentro da calça dela’

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Vítima, de 54 anos, escreveu mensagem para família assim que aprendeu a usar equipamento. Mulher cuidava dele desde 2015.

A família de um paciente com esclerose lateral amiotrófica (ELA) – doença que deixa a pessoa paralisada, sem poder nem falar – soube que ele era abusado sexualmente pela cuidadora depois que o homem, de 54 anos, escreveu uma mensagem no computador

Com auxílio dos olhos, a vítima – que mora no Distrito Federal – contou à mulher e ao filho os detalhes do que teria sofrido quando estava a sós com a cuidadora em casa.

“Ela botou minha mão dentro da calça dela”, escreveu.

A mulher, de 36 anos, foi denunciada à polícia em fevereiro. De acordo com o delegado, ela fazia sexo oral no paciente, beijava e colocava a mão dele nas partes íntimas dela. A suspeita, que não teve a identidade informada, está em prisão preventiva – por tempo indeterminado – na carceragem da Polícia Civil do Distrito Federal. Ela foi detida nessa terça-feira (9).

Cuidadora presa por estupro de vulnerável, no DF — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Cuidadora presa por estupro de vulnerável, no DF — Foto: Divulgação/Polícia Civil

Abusos

O filho da vítima disse que o pai “parecia calmo” quando relatou os abusos à família. “Antes ele não conseguiu contar tudo que acontecia porque não tinha nada que usasse para se comunicar”.

O paciente foi diagnosticado com ELA em 2012 e ficou acamado em 2015, período em que a cuidadora foi contratada. “A gente não desconfiava porque ela [cuidadora] já estava há três anos na casa e havia aquela confiança”.

“Não tinha como meu pai nos contar. Mas, a primeira coisa que fez ao usar o computador foi falar o que estava acontecendo.”

A reportagem não localizou a defesa da mulher presa. A família da vítima afirma, no entanto, que a cuidadora confessou o crime e disse que o paciente “era apaixonado por ela”. Na delegacia, a suspeita negou os abusos.

Estupro de vulnerável

De janeiro a fevereiro, o DF registrou 29 casos de estupro de vulnerável. No mesmo período do ano passado foram 62 ocorrências. A legislação brasileira prevê pena de 8 a 15 anos de detenção a quem pratica esse tipo de violência.

Se encaixam na condição de vítima vulnerável, nesses casos, menores de 14 anos, portadores de deficiências mentais, ou quem, por qualquer outro motivo, não tenha condições de se defender.